Resolvi falar um pouco de relacionamentos a distância. E uma palavra só os resumem: dor. Dói, cara. Dói pra caralho. No frio, no calor, na temperatura amena, na cama, no sofá, na escola, no inferno. Dói em qualquer lugar que não seja perto da pessoa que você ama. E quanto mais o tempo passa, mais dói. E mais você ama. E mais você tem a certeza de que vale a pena. Ora, você vê que é questão de lógica: se você está suportando a dor de estar longe, a carência, a solidão, a insegurança e o ciúme, é óbvio que você ama a pessoa. É óbvio que vai valer a pena. É óbvio que o tempo que vocês vão passar juntos - sim, porque você tem certeza disso - vai se sobrepor a toda e qualquer lágrima que você verteu pela pessoa com a qual você quer passar o resto da sua vida. Pelo resto da vida. Forte expressão, né. Pode ser muito tempo. Pode não ser. Talvez “por toda vida” só queira significar que, quando você está com a pessoa, você quer dar 100% de si. Nem que por isso você tenha que esperar boa parte do tempo. Aí esse tempo passa e você se vê aflita, “Tá chegando a hora de nos vermos. Tem que estar. Eu já esperei demais”, você pensa. Começa a pensar em desistir. Começa a se sentir exausta. As coisas que você fez pela pessoa que você ama começam a entrar nos seus pensamentos noturnos. As vezes que a pessoa pisou na bola e as vezes que ela não reconheceu o que você fez e faz por ela. Começa a pensar que está demorando demais, que talvez não valha a pena. Talvez. Essa palavra te perturba, te machuca, te deixa irrequieto. Mas pra o “talvez” perder esse poder estupendo que ele tem de estragar planos e vontades de arriscar, basta a pessoa que você ama mostrar que também está lutando. Você entende isso como um empurrão. Mesmo que a pessoa não diga nada, subliminarmente você entende “Vamos, amor. Eu estou com você. Eu sei que a carga é imensa, pesada e difícil de levar. Mas estamos juntos. É isso que me importa.” E você tenta. Tenta de novo e de novo. Porque, no fundo do seu coração, você sabe que cada quilômetro que separa vocês é apenas uma maneira de mostrar, em medidas reais, o tamanho da força que vocês têm pra lutar pelo amor.
Camila Nascimento. (via e-verything)
(Source: pequenafenix)
- Ele: Boa noite, pequena.
- Ela: Boa noite.
- Silêncio.
- Ele: Já dormiu?
- Ela: To quase. Porquê?
- Ele: Nada.
- Silêncio de novo.
- Ele: Pequena?
- Ela: Fala.
- Ele: Você sabia que você foi a melhor coisa que já me aconteceu?
- Ela: Ah, obrigada.
- Silêncio de novo.
- Ele: Ainda tá acordada?
- Ela: TÔ, CARALHO. FALA LOGO.
- Ele: Nada não, esqueci.
- Ela: PORRA, ALÉM DE NÃO DEIXAR A GENTE DORMIR, AINDA É POR BESTEIRA. BOA NOITE.
- Ela dorme e ele começa a rabiscar algumas palavras em um pedaço de papel enquanto uma lágrima escorre de seu rosto.
- Ela acorda, vê o lado da cama vazio e um bilhete, parcialmente molhado.
- "Bom dia, meu anjo. Dormiu bem? Espero que sim. Peço desculpas por ontem à noite, mas eu precisava ouvir sua voz antes de dormir. E hoje saí logo cedo, pra uma última caminhada no parque. Lembra que eu disse que fui ao médico há 6 anos, antes de nos conhecermos e ele diagnosticou câncer de laringe? Então, era verdade. Mas o que não te disse é que ele disse que eu tinha 6 anos de vida apenas. E lembra semana passada quando eu fui ao médico, tossindo muito? Ele disse que eu não passaria por essa noite. E lembra que você acordou várias vezes a semana toda comigo tossindo e cospindo sangue? Pois é. Era meu corpo avisando que eu tava no fim. Mas não queria te assustar. Antes de eu partir, espalhei pela casa algumas surpresas. Quero que tire o dia para encontrá-las. Te amo, meu amor. Para sempre".
- Com lágrimas nos olhos, ela desce a escada, que estava coberta de margaridas, sua flor favorita. Chegando à sala, um filhote de cachorro com um lacinho no pescoço dormia no sofá. Havia um bilhete: "Sempre quisemos um filho, se lembra? Aqui está.". Ela fez carinho nele e foi à cozinha, chorando. Uma mesa de café da manhã montada: pães, patês, geléias, sucos, frutas, café... E uma foto dele na outra ponta da mesa, onde costumava se sentar. Um bilhete: "Tome um café comigo.". Depois de uma farta refeição, ela caminhou para o jardim. No banco onde costumavam se sentar e ver o pôr do sol, uma caixinha. Dentro, uma aliança com os dizeres "Sempre seu".
Não sei o que você tem, mas você tem alguma coisa que me encanta, me prende, que me faz ser tua. Deve ser teu jeito de sorrir, aquele teu sorrisinho bobo e tímido ou a tua risada que é a mais gostosa do mundo. Deve ser teu jeito encantador de me olhar no olho. Pode ser também teu jeito tímido e bobão, que me encanta e me arranca sorrisos e gargalhadas toda hora. Deve ser teu jeito de me abraçar forte, de brincar com o meu cabelo ou de segurar a minha mão. Deve ser a tua voz, tão linda, tranquila, que tem o dom de me acalmar. E ainda não sei qual dessas coisas é a que mais me encanta. Só sei que cada uma delas te fazem único, te fazem perfeito pra mim.

